Carro Elétrico: Quem tem a palavra final?

Temos tantos carros nas ruas que se colocarmos todos enfileirados, darão mais de 125 voltas ao redor da terra. Quase que a totalidade desta frota consome combustível fóssil e o mundo sabe que não poderá ser assim para sempre. Nos próximo dez ou quinze anos, a frota que atualmente está em torno de 800 milhões, chegará provavelmente a 1,2 bilhões de autoveículos. Terá gasolina e diesel para todos? A que preço? E a poluição atmosférica?

Essas são apenas algumas questões que precisamos encontrar respostas. Sabemos que os veículos automotores não poderão continuar consumindo combustível fóssil por muitas décadas, devido ao preço do produto que continua subindo e os elevados índices de poluição que os motores de combustão interna provocam.

Logo, é previsível o surgimento de novas tecnologias para os veículos automotores e aprimoramento das que já existem. Pode ser motores movidos a hidrogênio, eletricidade, híbridos e qualquer outra que apareça. Atualmente, os motores a gasolina prevalecem sobre os elétricos por causa do preço superior do VE, autonomia menor e falta de infraestrutura para carregar as baterias. Mas, quem afinal de contas tem a palavra final sobre que produto prevalecerá?

Costumamos afirmar que a palavra final é sempre do todo poderoso consumidor. Mas será mesmo? Pensando bem a melhor resposta pode ser: depende. Sim, depende! De que mercado estamos falando? Há interesse de governos em subsidiar produtos e serviços ligados aos VEs? É preciso lembrar que governos de várias partes do nosso planeta subsidiam carros, combustível fóssil ou ambos.

O Brasil, por exemplo, continua oferecendo desconto do Imposto Sobre Produtos Industrializados - IPI e garante, via Petrobrás, subsídio a quem consome gasolina, cobrando nas bombas valor inferior ao real. Esse comportamento levou ao crescimento de vendas de carros e gasolina em 2012.

Quando o governo interfere com subsídios, o consumidor pode até ter a palavra final, mas a maioria tende a seguir o caminho que oferece mais benefícios. Na China, maior mercado automobilístico do mundo, ele está concedendo aos compradores de veículos elétricos generosos descontos que, em Pequim, pode chegar a quase US$ 20.000 (provavelmente, o maior subsídio dado por um governo para compra de um veículo elétrico), como é o caso do cliente que comprar um e6 da BYD.

Além disso, as leis para reduzir a poluição das grandes cidades chinesas (há em torno de cem cidades com população superior a um milhão de habitantes) estão endurecendo, e neste caso, o automóvel é um dos primeiros a ser afetado, pois além de poluir, está proporcionando congestionamentos gigantescos por todas as partes.

O governo chinês também define cotas de carros novos por cidade e poderá flexibiliza-la para os consumidores que adotarem, por exemplo, a mobilidade elétrica. Aliás, os chineses gostam de dizer que ao fazer negócio na República Popular: "Olhe para o prefeito, não o mercado.

O fato é que os governos tem muitos mecanismos para viabilizarem a adoção de transporte sustentável e não pensarão duas vezes ao aciona-los, até porque a pressão social e internacional sobre sustentabilidade é pontual e aumentará um pouco mais a cada dia.

Ótimo dia.

Evaldo Costa
Escritor, conferencista e Diretor do Instituto das Concessionárias do Brasil
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